fundamentalista cristão teológico
outro sentido
em que o termo é muito usado e que significa simplesmente ortodoxo ou
conservador em sua doutrina. O fundamentalista teológico se considera seguidor
teológico dos fundamentalistas históricos e simpatiza com a luta deles. Sem
pretender ser exaustivo, acredito que podem ser considerados fundamentalistas
teológicos atualmente os que aderem aos seguintes conceitos ou a parte deles:
- a inerrância da Bíblia
- a divindade de Cristo
- o seu nascimento virginal
- a realidade e historicidade dos milagres narrados na Bíblia
- a morte de Cristo como propiciatória, isto é, por nossos pecados
- sua ressurreição física de entre os mortos
- seu retorno público e visível a este mundo e a ressurreição dos mortos
Outros pontos associados com o fundamentalismo histórico são
o conceito de verdades teológicas absolutas, o conceito de que Deus se revelou
de forma proposicional e a aceitação dos credos e confissões da Igreja Cristã.
Numa esfera mais periférica se poderia mencionar que a
maioria dos fundamentalistas históricos prefere o método gramático-histórico de
interpretação bíblica e tem uma posição conservadora em assuntos como aborto, eutanásia
e ordenação feminina. Muitos ainda preferem a pregação expositiva.
E todos rejeitam
o liberalismo teológico.
Em linhas gerais, o fundamentalista teológico acredita que a
verdade revelada por Deus na Bíblia não evolui, não cresce e nem muda.
Permanece a mesma através do tempo. A nossa compreensão dessa verdade pode
mudar com o tempo; contudo, essa evolução nunca chega ao ponto radical em que
verdades antigas sejam totalmente descartadas e substituídas por novas verdades
que inclusive contradigam as primeiras. O fundamentalista teológico reconhece
que erros, exageros e absurdos tendem a ser incorporados através dos séculos na
teologia cristã e que o alvo da Igreja é sempre reformar-se à luz dos
fundamentos da fé cristã bíblica, expurgando esses erros e assimilando o que
for bom. Admite também que existe uma continuidade teológica válida entre o
sistema doutrinário exposto na Bíblia e a fé que abraça hoje.
Acho que é aqui que está a grande diferença entre o
fundamentalista teológico e o liberal. Esse último acredita na evolução da
verdade a ponto de sentir-se comissionado a reinventar a Igreja e o próprio
Cristianismo.
Muitos me chamam de fundamentalista. Bom, não posso ser
fundamentalista histórico, pois nasci muito depois da luta de Machen. Contudo,
sou fã dele, que era um perito em Novo Testamento. Não sou um fundamentalista
americano, pois sou brasileiro da Paraíba, nunca recebi um tostão de McIntire e
sou amilenista. Aliás, nem conheci McIntire pessoalmente. Fui fundamentalista
presbiteriano denominacional por decisão dos meus pais quando eu tinha doze
anos. Saí da denominação fundamentalista após conversão e entrada no ministério
pastoral. Também não me acho xiita. Há controvérsia sobre isso, eu sei.
Na categoria de fundamentalistas teológicos encontramos
presbiterianos, batistas, congregacionais, pentecostais, episcopais, e
provavelmente muitos outros. É claro que nem todos subscrevem todos os pontos
acima e ainda outros gostariam de qualificar melhor sua subscrição. Contudo, no
geral, acho que posso dizer que os fundamentalistas teológicos não fariam feio
numa pesquisa de opinião sobre o que crêem os evangélicos brasileiros. Por esse
motivo, e por achar que o assim chamado fundamentalismo teológico é
simplesmente outro nome para a fé cristã histórica, não fico envergonhado
quando me rotulam dessa forma, embora prefira o termo calvinista ou reformado.
Augustus Nicodemos.
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